sábado, 28 de maio de 2016

MANIFESTO EM DEFESA DA SEGURIDADE SOCIAL BRASILEIRA

Neste momento de crescimento de intensos retrocessos no campo político, não poderíamos nos omitir em fazer um verdadeiro chamado as Centrais Sindicais, Sindicatos, Movimentos Sociais, Movimentos Populares, Conselhos de classe, Conselhos de Direitos, usuários das políticas públicas e demais sujeitos políticos organizados, em defesa da Seguridade Social enquanto patrimônio do povo brasileiro. Convocamos todas e todos lutadores(as) sociais a se levantarem contra o desmonte da Previdência Social, Saúde pública e da Assistência Social! 
Desde o dia 11 de maio de 2016, quando o golpismo tomou de assalto a condução do Estado brasileiro, temos nos deparado com a crescente ameaça de desconstrução da Seguridade Social firmada no artigo 194 da Constituição Federal de 1988, como um conjunto de políticas (Saúde, Previdência Social e Assistência Social)  responsáveis pelo desenvolvimento social, distribuição de renda e promoção da dignidade humana, fruto de intensa luta da classe trabalhadora brasileira. Reconhecemos os limites históricos enfrentados pela Seguridade Social em sua implementação, entretanto o processo em curso significa o maior retrocesso imposto a proteção social brasileira.
As propostas apresentadas pelo documento “Ponte para o futuro” publicado pelo PMDB (2015), as recentes declarações dos ministros interinos e ilegítimos, bem como a Medida Provisória 726, apontam um cenário de terra arrasada e destruição da Seguridade Social com a intensa focalização e seletividade na cobertura, o desvirtuamento da função social das políticas, a diminuição acentuada de recursos, a intensa expansão da entrega de setores lucrativos para a iniciativa privada e a negação de direitos sociais.
A “Ponte para o futuro” ou melhor a “Ponte para o retrocesso” aponta, de maneira explicita, na direção da brutal diminuição dos programas sociais, com a proposição do atendimento de apenas 5% das pessoas mais pobres. Notemos que não se refere a 5% das famílias e sim dos indivíduos, o que confere um caráter ainda mais diminuto aos programas de enfrentamento à pobreza e às condições de vulnerabilidades sociais da população. Isso significa que milhões de brasileiros e brasileiras não terão mais garantias básicas de sobrevivência.
A recente Política de Assistência Social vem sendo duramente ameaçada por este governo ilegítimo, além da sinalização dos drásticos cortes de acesso e financiamento, a estrutura operacional também sofreu retrocesso com a desarticulação do Ministério do Desenvolvimento Social e sua fusão ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, o que materializa uma clara ação de diminuição de ação e importância política, no que tange o programa de governo em execução. O ministro da pasta, Osmar Terra, declarou que o programa Bolsa Família e o Cadastro Único serão operacionalizados pelas agências da Previdência Social, fato que avaliamos como um evidente processo de desmonte dos Centro de Referência da Assistência Social - CRAS e, portanto, da Proteção Social Básica.
A Previdência Social sofre processo semelhante. O referido documento público que contem a plataforma de governo do PMDB, declara o pretenso fim da indexação de todos os benefícios previdenciários ao valor do salário mínimo, ou seja, os mesmos não serão mais corrigidos com base no valor do salário mínimo, o que levará a ausência de aumento no valor das aposentadorias e seu congelamento.
A extinção do Ministério da Previdência Social, Política construída há 92 anos a partir de árduas lutas da classe trabalhadora, surpreendeu a todos devido ao seu caráter arbitrário de esfacelamento da Previdência Social, apartando os órgãos formuladores da Previdência do executor da Política, o INSS.
A Dataprev (empresa pública de processamentos de dados), Junta de Recursos, Conselho Nacional de Previdência  e Previdência Complementar, ou seja, os setores de formulação e que ensejam interesse do capital rentista, devido a sua alta lucratividade, foram transformados em uma secretaria ligada ao Ministério da fazenda, impondo uma lógica estritamente financista à política pública.
Já o INSS, órgão responsável pela operacionalização dos benefícios previdenciários, foi atrelado ao “novo” Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, em uma explícita ação de desvinculação da Seguridade Social, diminuição de seu aparato de proteção aos trabalhadores e desvirtuação de sua função social. Tais medidas caracterizam a contrarreforma da previdência e a destruição dos direitos trabalhistas, enquanto núcleo duro dos interesses do golpe instaurado, com um arsenal de propostas nefastas referentes a retiradas de direitos previdenciários dos trabalhadores: 1) Aumento no tempo de contribuição e idade mínima para aposentadorias, inclusive para os servidores públicos; 2) equiparação da idade de aposentadoria entre homens e mulheres, desconsiderando a tripla jornada de trabalho das mulheres; 3) Desindexação dos reajustes dos benefícios previdenciários e o fim do salário mínimo como base de cálculo, como já mencionamos; 4) restrição de acesso aos benefícios previdenciários por critérios mais rígidos para a concessão, fomentando uma cultura de regulamentação restritiva de direitos; e 5) aumento do valor das contribuições previdenciárias para o trabalhador.
No que tange às ameaças no campo da saúde pública, vemos a nomeação de um ministro, Ricardo Barros, com íntimas ligações com as operadoras de planos de saúde, inclusive como maiores financiadoras de sua campanha. Nos deparamos ainda com suas recentes declarações à imprensa afirmando que “o tamanho do SUS precisa ser revisto”, ”quanto mais gente puder ter planos, melhor”, “em algum momento, o país não conseguirá mais sustentar os direitos que a Constituição garante – como o acesso universal à saúde – e que será preciso repensá-los”.  Declarações estas que dão o tom de comprometimento deste governo golpista com a retirada de direitos e a desarticulação da universalidade de atendimento do Sistema Único de Saúde, reduzindo e fragilizando o sistema em detrimento do avanço da iniciativa privada. Outra importante ameaça que se avizinha para a saúde pública é a proposta encaminhada para a câmara pelo Presidente golpista, Michel Temer, que impõem o fim das vinculações constitucionais com gastos obrigatórios na saúde, o que garante patamar mínimo de empenho de recursos anuais para a política pública de saúde. A União tem por obrigação legal destinar no mínimo o valor de recursos igual ao do ano anterior somado ao percentual variável do PIB, enquanto Estados são obrigados a investir 15% dos recursos e os municípios 12%.
É necessário combater o ideário falacioso de colapso da Seguridade Social, que tenta incutir que o sucateamento e desmonte das políticas de Assistência Social, Previdência Social e Saúde são necessários pela falta de recursos. Porém, os dados apresentados pela Associação Nacional de Auditores Fiscais afirmam que o Brasil não enfrenta uma escassez de recursos públicos, enfrenta, na verdade, um verdadeiro assalto de volumosos contingentes financeiros destinados ao pagamento da dívida pública, haja vista que 43% do tesouro nacional é destinado ao pagamento da dívida interna e externa, nunca auditadas. Soma-se a essa questão, a contradição apresentada pela Lei de Desvinculação de Receitas União (DRU), que na atualidade desvia 20% dos recursos da Seguridade Social para outros fins. A MP 87/2016 emitida pelo presidente golpista e usurpador, pretende aumentar esta desvinculação para 30%. Segundo a ANFIP, apenas em 2014, a desvinculação de receitas da Seguridade Social, garantiu o desvio de 63,1 bilhões, e nos últimos 3 anos, o montante  equivale a quase 200 bilhões usurpados da Seguridade.
Como o sistema de Seguridade Social pode está mergulhado em um colapso baseado na sua sustentabilidade financeira e pode ceder 30% dos seus recursos para outras áreas?  Esse processo é envolto no obscurantismo da falta de transparência no aporte destes recursos sem definição de prioridades e importância social. Existe uma profunda contradição em retirar recursos de políticas públicas taxadas como insustentáveis. 
Precisamos resistir e construir o enfrentamento a essa grande ofensiva de retrocessos na Seguridade Social e retirada de direitos do povo brasileiro. É necessário somar esforços na construção de uma grande Frente de Defesa da Seguridade Social, movimento de luta continua contra o avanço da lógica mercadológica e do desmonte da Saúde, Assistência Social e Previdência Social, afirmando o caráter de patrimônio do povo brasileiro. Reafirmamos o convite a todos os sujeitos dispostos a se levantar em defesa Seguridade Social brasileira, nenhum direito a menos! Vai ter luta! 

Assistentes Sociais no INSS/GEXRecife